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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Rifa-se um coração...Ricardo Labatt

Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.

Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.

Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.

Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.

Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.

Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.

Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:

"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.

Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.

Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.

Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Nota: este texto é algumas vezes atribuido erroneamente a Clarice Lispector.
Ricardo Labatt

POR: Wcastanheira  Recebi de uma pessoa muito amiga, uma leitora carinhosa e atenta às coisas desta página, repasso com carinho a cada visitante. Pra vcs bjos e bjos.



4 comentários:

  1. Uffa! Longo hein... mas vale a pena, tem seu valor em ser lido. É compreensível por atribuirem a Clarice. Tem um gostinho dela eu acho. E esse jogo de palavras e ironias é típico. Adorei a escolha xD


    Quando puder, te espero pra uma visita e um comentário no meu espaço também =D
    diademegalomania.blogspot.com

    Agradecido

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  2. Amigo, sempre achei que esse texto fosse da Clarice, gostei do esclarecimento e rele-lo mais uma vez! Ele me lembra uma festa a fantasia que eu fui a anos atras, coloquei em uma bandeja um coração, queria provocar um ex namorado por que tinha acabado de ser traida kkkk que horror, ainda bem que o tempo passa e a gente amadurece, jamais faria isso novamente! rrsrr Abraçossss

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  3. Boa noite Castanha...Quero comprar um numero de
    rifa deste coração insano que sofre, ama e nunca
    desiste. Pode ser?
    L até o fim e em muitas linhas, senti que os versos
    eram escritos para o meu coração, mas não desejo rifa-lo,
    apenas doa-lo, como tenho feito todos esses anos...Abraços

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