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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A musa e o silêncio...

Caminhava fazia alguns minutos, o céu nublado e o vento fresco tornavam o trajeto agradável. 
A padaria não ficava tão longe e eu precisava andar apenas um pouco, pensar sobre as coisas boas que andaram acontecendo nos últimos dias. Comprar três pães eram suficientes, na fila do caixa vi a prateleira de revistas e livros, modesta como qualquer uma delas fora de uma livraria. O morro dos ventos uivantes, Casal Feliz Enriquece Junto, Como Parar de Fumar. Peguei o último e folheei,  minha vez chegou, coloquei o livro de volta, paguei os pães e fui embora.
Na volta resolvi reparar mais no caminho que hoje parecia diferente, os muros com reboco sem pintura, os prédios todos iguais, as árvores nas calçadas, a faixa branca de cal demarcando o meio-fio, os paralelepípedos das ruas.,  tudo parecia menos duro: Aquele cinza, os portões pretos ou enferrujados e as próprias pessoas,  era estranho, pois nada havia mudado naquela rua desde que me mudara pra lá há quatro anos, talvez eu tivesse mudado e só agora reparasse na beleza daquela simplicidade sem brilho, o amor nos faz mudar critérios e visões.
Virei à esquina e parei na banca de jornal para comprar cigarros e seguir para casa. Subi as escadas, coloquei as coisas na mesa e ela ainda estava lá, deitada sobre os lençóis revirados,  dei um leve suspiro, não sei se de alívio ou de felicidade, as coisas pareciam dar certo e talvez fosse só impressão, mas não me importava com isso. 
Abri um pouco as cortinas, o sol permanecia tímido, praticamente nulo,  as nuvens deixavam o tempo agradável ao corpo e aos olhos, não era muito de sol e não estar novamente sozinho não era de todo mau, sempre dá-me prazer a sua volta o seu retorno ao lar e meu convívio, as coisas estavam fora do lugar, mas, nem que por um determinado espaço de tempo, em um lugar melhor abri a janela e acendi um cigarro.
Ela abriu os olhos e acho me viu dando o último trago, espreguiçou-se, sorriu passando as mãos fechadas sobre o rosto sem dizer nada, ofereci o café que havia feito há pouco enquanto ela se ajeitava na cama e me olhava, não havia muita coisa a dizer, acho que ela sentia o mesmo que eu naquele momento: Paz ou apenas vontade de fumar, pois pediu um cigarro junto com o café.
Ficamos uns dez minutos em silêncio e aquilo já era melhor que o vazio do apartamento antes de sua presença, o seu silêncio quase sempre preenche minhas angustias, basta ela ali, nos entendemos no silêncio da sua alma, na quietude do ser, nos entendemos até mesmo no grito silencioso do seu orgasmo, no seu jeito de contorcer-se feliz e jamais pronunciar meu nome, ela, apenas ela no meu quarto já basta-me, preenche todos os espaços, satisfaz meu deleite de prazer do amor, ela entende meus sucessos e aquieta-se diante dos meus fracassos na cama, apenas na cama, pois na vida sacode  comigo e desperta meu ser.
 Colocou as pernas pra fora da cama e se sentou. Ainda estava nua estava seu corpo  e acho que sua alma, nossas almas quando nuas, desprovidas de todas as defesas, se entendem muito bem, porém quando partem pra defesa normalmente brigamos, discutimos e nos separamos.
Ela colocou os pés sobre o carpete, olhou para a janela, ofereceu-me um sorriso tipo Monaliza e  assim nua em alma e corpo partiu para o deleite do seu banho, arrisquei perguntar, _fica para o almoço?
_Não sei, nem sei se termino meu banho, mas se terminar desejo até o almoço, te amar...
_Vai ficar?
_Vou te amar, depois, só depois saberei se devo ficar...
Assim tomou seu banho, retornou nua, esbelta, linda e em silêncio, ainda...

POR; Wcastanheira  Em delírios de um final de tarde, hoje viajando na delicia de um amor, misterioso, silencioso. Pra vcs bjos e bjos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A musa e o poeta...

Todo poeta necessita de uma musa inspiradora. 
Você trás a noção do que é viver, sem ti eu sou apenas uma ilusão abandonada na memória do tempo!
Óh musa dos meus encantos, das alegrias e prantos, que seria deste poeta sem te imaginar ou se algum dia em ti for proibido pensar?
Todo poeta necessita de uma musa, para viajar, delirar e poetizar, uma musa não nasce do nada, ela é concebida, rara, pura e  sem pecado, pois a musa vem do poema e do coração, da afeição ou da mais terna e sincera paixão.
Óh musa que me fazes assim meio sem jeito não ter quem mostrar, mas fazes forte meu poema quando mortais vem comigo na tua beleza navegar, eles deliram no deleite de te imaginar, eles viajam na delicia de te cobiçar e só ao poeta cabe te criar e te deixar, ficar.
Óh musa dos sonhos meus, tão perfeita, tão linda sempre apareces nos desejos mais puros e mais sinceros do meu coração, és sempre a mulher perfeita, a loucura da mais intima sedução, da mais perfeita e quente paixão.
Musas e poetas que bela combinação, vivem a perfeita harmonia do faz de conta e da paixão.

POR: Wcastanheira  Em delírios de um final de tarde, hoje um mimo a uma leitora que perguntou-me. Vc viveria sem musas? Não sei, poetas não imaginam-se sem musas inspiradoras elas fazem parte da magia e da beleza deste mundo que deixa os leitores à imaginar, será verdade ou delírio? Poetas, pobres anjos quando decidem aproximar-se dos mortais. Pra vcs bjos e bjos.

domingo, 22 de setembro de 2013

Meu primeiro amor...

Naquela dia apenas te havia conhecido, na noite anterior, ainda lembro da beleza e do charme do seu sorriso, da delicadeza das suas mãos e o brilho do seu olhar admirado ou encantado com nosso momento, sempre chamou-me a atenção o brilho lindo do seu olhar, lembro ainda das nossas primeiras palavras, meio tremulas até parecendo inseguras, sei lá acho que são assim todas as primeiras conversas de todos os namoros, é muita expectativa guardada, é por vezes muita espera represada no coração e na alma de cada um  dos amantes...
Naquela tarde quase noite, não havia nada que nos fizesse adiar nosso primeiro encontro, que podem as pessoas ou a vida fazer para desviar o compromisso de quem ama, optei pela camisa mais bonita e usei o perfume de melhor aroma, olhei várias vezes o relógio para que nada de atraso viesse a acontecer, ensaiei palavras e gestos, de todas as maneiras preparei meu cabelo até entender ou pelo menos aceitar o modo que parecia-me ser de seu maior agrado.
Ao longe percebia que você estava linda, com aquele vestido da nossa última festa, onde parecia que todos os meninos tinham olhares pra você, porém só o meu entendia ao seu lindo olhar, seu encantador vestido acompanhou minhas noites em imensuráveis e encantadores sonhos, além de alimentar meu pensamento em infindáveis momentos ao longo de noites e dias, aquele lacinho delicado parecia não caber na minha mente, ele me fazia ir além extrapolava o pensamento, coração e alma, inquietando minha criativa imaginação de rapaz apaixonado, o vestido da festa, você não poderia ter feito melhor escolha para enfeitiçar meu instinto masculino, finalmente vestidos e saias sempre fizeram parte do meu universo de desejo no corpo feminino, você parece que sabe explorar minha simpatia pelo belo modelo, linda, encantadora, apaixonante estava meu amor naquela tarde.
Nosso encontro foi romântico, quase inesquecível, das palavras pensadas, dos gestos ensaiados, esqueci diante da beleza que via em ti, as pernas tremeram, as mãos transpiraram, parece que as batidas do meu coração inquieto iriam explodir minha caixa toráxica e assim devagarinho, passo a passo fomos nos aproximando e como dois encantados, nossos olhares encontraram-se e nossas almas não sabiam o que dizer, chegamos e trocamos um quase inaudível, _ oi, tudo bem? Lembro que minha mão buscou delicadamente a tua mão e assim um ao encontro do outro de forma mágica e quase incontrolável nos aproximamos e sem pedir, sem pensar, pela primeira vez, nos beijamos...

POR: Wcastanheira    Em delírios de um final de tarde, hoje navegando, sonhando na delícia de um primeiro amor, suave, delicado, apaixonado. Pra vcs bjos e bjos.

sábado, 21 de setembro de 2013

Te amo...

Te amo, talvez seja pela tua indiferença, por este teu modo de me olhar ou quem sabe pela beleza do teu cabelo, pela singularidade do teu sorriso, quem sabe pela excitação de ver teu esguio corpo, de ver cada curva em cada olhar que a ti dirijo e assim vou me apaixonando a cada dia.
Te amo, talvez pela simplicidade do teu bom dia ou pela beleza do teu oi, talvez te ame pela quantidade de vezes em que me dizes, não.
Talvez te ame, pela dificuldade de te encontrar a sós, pelo teu modo bonito, inteligente e discreto de me evitar, te ame, apenas e tão somente pela incrível força desta obsessão que virou, te amar.
Te amo, talvez pela maneira dócil, com que comigo falas ou quem sabe por nossas conversas fragmentadas, por nossas perguntas sem respostas, pelos nossos viajares intermináveis, em idas e vindas a tantos lugares, lugares nos quais ainda sonho em contigo um dia estar.
Te amo, talvez pela inquietude deste meu coração vadio ou quem sabe porque ele quer contigo ficar ou contigo casar, talvez te ame, pela beleza singular deste olhar tão verdinho, tão parecido com a beleza do mar, talvez pois, pela poesia do meu coração que sempre vê a beleza do mar contida no encanto deste teu belo olhar, não sei dizer porque te amo, então, muito menos o quanto te amo, mas sei que de coração, te amo.
Te amo. Sabem lá os poetas das coisas que questionam e inquietam seus corações?
Eles, apenas amam e criam musas e vibram de amor e infinitas paixões, te amo talvez pela maneira simples com que tentas ajudar minh'alma inquieta, talvez pela piedade que tens para comigo, tentando dar-me a cada dia um pouco de esperanças em um dia quem sabe ter o teu amor, te amo pela beleza da tua paciência em buscar a cada momento entender minhas angústias e de algum modo com teu amor, seguras a cada dia meu desespero por te amar, te amo, mesmo sabendo da tua falta de amor, não percebo em ti, indiferença em momento algum, te amo , mesmo sabendo que a outro amas, a mim encantas a cada dia com tuas delicadezas, te amo, mesmo entendendo que não sou pra ti, mais que um pobre homem na busca do quase impossível, te amo na espera de uma migalha de atenção, te amo, na espera de ao menos sentir o calor da tua mão, teu amo porque sinto que um dia posso ter ainda teu coração.
Te amo, pois a um homem podem roubar a liberdade, mas jamais a busca pela completa liberdade, te amo, te amo, pois o dia em que não te amar, a vida de algum modo haverá de comigo acabar, te amo, e sou feliz por apenas, te amar e loucamente por ti, esperar.

POR:: Wcastanheira        Em delírios de um final de tarde, viajando na inquietude de amar e não ser amado. Pra vcs bjos e bjos

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Brincar de ser feliz...

Naquele final de tarde a praia estava calminha, linda o sol delicadamente batia nas ondas, o céu apresentava-se num tom meio azulado com brancas nuvens que pareciam vagar em espaço divino, pensar em anjos pra mim era fácil, pois em quase todas as aparições eles descem das nuvens ou navegam em colchões de nuvens brancas, ora, então os anjos andavam certamente por ali...
Convidei meu amor para além de ser, brincar de ser feliz, corríamos à beira mar e jogámos água um no outro, já reparou como as crianças quando demonstram a pureza da alegria normalmente correm pela beira mar e só depois aquietam-se à brincar de fazer castelos ou transportar água do mar para construir seus rios ou lagos? 
Pois fizemos justamente isto, além de brincar sentados e deixar a delicia da água molhar nossas pernas e desmontar nossos castelos, quando levantei, meu amor prontamente e de modo inesperado saltou sobre minhas costas e passeou de garupa (termo gaúcho) em meus ombros, sorridente e feliz por longos dez ou cem metros, não lembro, apenas sei que estávamos felizes, você já percebeu como as crianças sorriem felizes quando estão sobre os ombros de seus pais?
Naquela tarde uma bela campina estava à nossa espera e logo ali, após uma caminhada entremeada de pequenas corridas e passeio calmo de mãos dadas, sorríamos ao ver as crianças tão felizes quanto nós, os pássaros comendo migalhas nas calçadas, as flores enfeitando belos jardins e casais sentados na frente das casas comendo alguma coisa e trocando belas conversas sobre as divagações da vida, enquanto os filhos brincavam de roda ou esconde esconde seus pais divagavam em prováveis futuros namoros, você já percebeu como alguns pais sonham em formar os pares ideais dos seus filhos e dali projetam netos e futuros felizes?
Eu e meu amor encontramos uma bela pracinha com flores, bancos, chafariz funcionando, você já percebeu como raramente eles estão funcionando, quando ainda existem? 
Pois este funcionava, era lindo com suas águas dançantes, belas flores faziam-nos de vez em quando parar e nos abraçar e assim envolvidos, ficar a admirar a beleza que a natureza oferece ao ser humano, você já percebeu como algumas pessoas não se contem e quando encontram flores a primeira coisa que fazem é arrancar um exemplar?
Assim brincando, experimentamos sentar no gramado verdinho, meu amor subitamente subiu sobre meu corpo e rolamos pela relva verde, nos enlaçamos em carinhos, sorrisos e felicidade daquele puro momento, você já reparou como as crianças na sua pureza gostam de rolar na grama e correr pelos campos?
Naquele dia, eu e meu amor fizemos esta bela experiência de felicidade, a noite foi descendo, o sol trocando seu brilho avermelhado com a luz prateada de uma imensa lua cheia, assim voltamos à praia para passear de mão entrelaçadas, algumas algas vivas iluminavam a calmaria da beira mar, é bonito, é lindo ver a luminescência delas na calmaria, eu e meu amor ficamos ali, olhando, sonhando, delirando, um olhando ao outro, felizes coma experiência, de brincar de ser feliz, sem relógio, sem cartão de crédito, sem saudades de nada, apenas brincando de ser feliz, não havia a violência do ser humano, havia apenas a pureza do ser humano em equilíbrio com a inocência da natureza, sabe o que aconteceu?
Foi muito bom, brincar de ser feliz!!

POR: Wcastanheira  Hoje delirando na maravilhosa brincadeira de tentar viver e ser feliz!! Fácil num mundo poético e infelizmente quase de faz de conta, por culpa da violência da nossa própria espécie. Pra vcs bjos e bjos.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Delírios e sonhos de um poeta...

Se eu chorar, só por hoje, não me critiques, deixe-me derramar meu pranto, sabes lá ao menos se é de alegria, se é por alguma tristeza ou simplesmente por vontade de chorar?
Se eu chorar, só por agora, deixe-me sentir este sentimento tão profundo  e esvaziante, sabes lá porque choro, se é por ti, por alguém que conheces ou se apenas para sentir a delicia de poder chorar?
Se eu chorar, encosta-te um pouco mais em mim, deixa-te enlevar por meu pranto, apenas olhe, admire-me por eu não ter  a vergonha de chorar, vem, deixa teu rosto colar ao meu, deixa teu cabelo macio encostar ao meu, deixa tua mão delicada repousar sobre minha mão e fica assim, paradinha, como que a escutar meu pranto, já que não aprendeste à escutar meu coração, já que ainda não sabes interpretar meus gritos, meus gemidos até hoje tão contidos, já que não podes dar a paz que tanto necessito, quem sabe teu carinho, tua presença, podem aliviar meu pranto?
Mas, se eu chorar ainda mais, não fujas, fica.
Tenha a caridade de estar comigo neste momento de sentimento tão profundo, quem sabe se não é da tua presença que minh'alma necessita?
Fica comigo, aqui, quietinha, houve meu pranto, assim como as criancinhas escutam as historinhas da vovó, sinta-me, assim como o pássaro se delicia com a água do prato ao banhar-se, assim como as aves  batem as asas felizes ao encontrarem-se, sinta-me, mas não assim como eu espero, pois assim seria demais, mas sinta-me assim como o cãozinho feliz ao chegar seu dono, se eu ainda chorar.
Chora um pouco comigo, quem sabe não é do seu pranto que tanto preciso?
Se não conseguires, não se vá, tenha pelo menos a delicadeza de esperar, quem sabe ao te ver, ao  deste delírio acordar, eu consiga um sorriso te dar!!
Então terá valido a pena esperar.
Se eu chorar, não tenhas piedade, nem compaixão, é um sentimento lindo, é o extremo de um poeta, que seria de nós, não tivéssemos o pranto como companheiro, a lua e o sol como rima e a solidão como sina?
Que seria de nós poetas, se apenas ríssemos, ora ora, rir todos riem, os tolos riem, se apenas aplaudíssemos, aplaudir todos aplaudem, mas poucos teem a grandiosidade de mostrar seu pranto. Portanto.Naõ tenhas piedade, talvez eu não chore por dor, nem por amor mas por ver no mundo a falsidade.
Que seria do poeta, não fosse o delírio, não tivesse ele e apenas ele, o direito de ir às estrelas, de estar no céu, de amar quem não lhe ama, de ver quem não lhe vê, pobre de vocês mortais, não sabem o quão profundo é sofrer por quem não podeis sequer ver,  amar, a quem não podes sequer tocar, é  escrever, delirar, sofrer e voltar, perder a paz , chorar.
Portanto, ouve meu pranto, dá-me apenas o muito do teu carinho e assim, já não choro sozinho, dá-me um pouco da tua imensa luz, do teu brilho, fica pertinho, pra que eu sinta teu calor, dá-me tua mão, pra que eu...
Pense... que é AMOR!!

POR: Wcastanheira    Em delírios de um final de tarde, hoje em: Sonhos de um poeta. Pra vcs bjos e bjosa.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Nosso namorar na praça.

Em alguns dias dou-me ao direito de sonhar e nos meus sonhos, delicadamente  você me aparece, passeamos de mãos dadas, circulamos por uma praça, com banquinhos, árvores, balanços e gangorras, lago, barquinhos e peixes, lá andamos de braços entrelaçados, cabeças quase coladas, sentamos num banco qualquer, que a partir daquele momento deixa de ser qualquer, pois passa a fazer parte da nossa história de amor, por nós  passa uma linda criancinha, ficamos ali, parados, estancados em nossos pensamentos que de algum modo visualizam nela um nosso futuro possível filho, viajamos demos passos além dos nossos dias, em volta do arvoredo cantam pra nós belos pássaros, crianças andam de um lado para outro, aperto tua mão na minha, sinto o suor quente da sua angústia, sonhamos os mesmos sonhos, planejamos os mesmos planos, traçamos uma estrada quase perfeita ou será perfeita? 
Minha cabeça torna a encostar na tua, uma nuvem branca, linda, encobre o sol que iluminava teu rosto, te vejo corada, cabelos em desalinho, mas linda, quase angelical de tão sublime que é tua imagem pra mim, nossos pensamentos encontram-se em todos os caminhos e vamos andando pela praça, o sorveteiro ainda é o mesmo que assistiu ao primeiro beijo que te dei e com certeza o guarda também sabe contar do dia em que roubei uma rosa amarela pra você, rosas, quero sempre que Deus permita possa eu te dar lindas rosas, mesmo sabendo que diante da tua ternura e do teu encanto, rosas simplesmente tornam-se adornos que desaparecem diante da singularidade dos teus cabelos e teu meigo olhar, ah pobre poeta, como poderei viver, se minha vida parece não ter sentido longe de ti, como poderei acordar, se acordado não encontro a graça do viver sem ti, mas é preciso viver e viver vale a pena, apenas quando a alma já não é mais pequena, são balanços, são gangorras meu amor, onde um dia pela vez primeira te encontrei, onde um dia escondido te beijei, o guarda ainda zela por nós e parece que espera por nós dois, ali no mesmo banco, seguro tua mão na minha e passeamos por entre patos e marrecos, rosas e dálias, orquídeas e namorados, paramos um pouco, de leve alinho seu cabelo, enquanto beijo sua face, que já não fica corada como antes, pouso e repouso meu beijo em teus lábios macios e angustiados por este momento, tão delicado e sublime, tão especial e quase angélico e assim, passeamos como dois amantes sem a preocupação do tempo, que nem os amantes de Verona tiveram, mas porque preocupar-se se a cotovia não cantará pra nós, se o tempo, o nosso tempo a nós dois pertence.
Pingos de uma chuva quase imperceptível, parecem querem incomodar-nos,  nos aconchegamos, abrimos os braços do nosso guarda chuva corpóreo e nos basta o abrigo um do outro, são pingos leves, intermitentes que molham nossos rostos, que confundem as minhas das tuas lágrimas já choradas quando falamos em nossa despedida, olho teus olhos, beijo delicadamente tua face rubra, aliso teus cabelos molhados e aos poucos vou fazendo neles uma trança, outra trança e já não me pareces aquela moça de antes, mas uma boneca com duas chiquinhas douradas, com dois brincos prateados a levemente tocar teu pescoço esguio, beijo teus pelos  macios enquanto acomodas teu rosto suavemente ao meu peito quase descoberto, os pingos da chuva molham aos poucos tua blusa amarela, de uma amarelo pálido, suave, delicado, aos poucos vou percebendo teus encantos de mulher, aos poucos vou sentindo teu calor a enveredar por todo meu corpo, enquanto admiro a escultura do teu ser, analizo a dependência que tenho de ti, enquanto admiro cada pingo da chuva a molhar e mostrar teu colo, vou pensando no quanto tua beleza me domina, no quanto tua altivez me faz mais teu, pareces adormecer ao meu colo, a praça já parece ser toda nossa, também pudera, apenas nós ficamos por aqui, apenas nós esperamos para ver os pássaros acomodarem-se, as aves do lago aquietarem-se, de que adianta o relógio da estação marcar as horas que anunciam a noite, se já não temos o poder de discernir o que é noite e o que é dia, se já não diferenciamos a garoa da chuva alucinada, de que vale o sino anunciar a Ave Maria de um inverno tempestivo se para nós a tempestade do amor invade nossos corações  e a paixão queima de forma avassaladora nossas almas, destruindo aos poucos nossa capacidade de perceber o corre das pessoas, o bater das horas ou quem sabe o olhar incriminatório dos passantes, percebo aos poucos teu corpo deixar-se cair com leveza e ternura no meu colo, que a muito te espera, acomodo teus cabelos e pouso um beijo delicado no teu pescoço nu, lentamente vou acomodando minha mão na tua mão, vou cruzando minha perna com a tua, tão lento que nem percebo que dormes acompanhada dos teus sonhos de menina mulher, só sei que não devo quebrar teu pensamento que viaja nas estrelas, que visita fadas madrinhas, que não vê nem percebe o passar de qualquer hora, que espera um príncipe em seu cavalo branco no qual te  levará ao delicioso campo das nuvens do amor, ah, quem dera seja eu teu príncipe, seja meu colo tua nuvem esperada.
Como é bom sonhar com teus sonhos, viajar nos teus encantos, estar contigo nesta balada vespertina, não te deixar acordar, para não perceberes a hora e o tempo de voltar.
A chuva vai molhando cada vez mais, tua delicada pele, macia, alva que me faz delirar, acomodo teus braços ao meu colo enquanto nada me faz cansar de admirar teu corpo juvenil, somos duas crianças esquecidas das horas, perdidas do tempo, tempo? 
O que significa o tempo para os amantes? 
Pra servem relógios, bilhetes, recados, chamados? 
De nada pra quem vive nosso momento de amor, hão de cantar os pássaros, hão de chiar as corujas, haverá algum anjo de nos avisar quanto ao final do nosso tempo, se adormecemos na placidez, na calma da floresta, na docilidade da praça, então que venha o guarda nos acordar, que venha a nova manhã, trazer novos passantes, fazer os pássaros para nós cantarolar ou quem sabe a cotovia dos amantes de Verona, estará por vir ao perceber que aqui outros dois amantes, esqueceram das horas, perderam a noção do tempo, estão embriagados, inundados pelo vírus do amor.
Como é bom sonhar, talvez o sonho pertença aos mortais e apenas os delírios  acasalem-se aos aos poetas, a praça jamais poderá ser a mesma, como ser, se em cada banco, em cada gangorra, em cada balanço sinto o seu aroma e percebo tua imagem, anda comigo no encontro das árvores, estás comigo em cada esquina e o melhor, todos os pássaros na praça cantam pra nós.

POR: Wcastanheira     Em delírios de um final de tarde, hoje apresentando este mine conto, premiado em 5º lugar no festival de contos no encontro literário de Passo Fundo, RS em 2011. Pra vcs bjos e bjos