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sábado, 9 de maio de 2009

Zero Hora em 09/05/2009

Você concorda com o fim de vestibular?

Qualquer medida que valorize o 2º grau e acabe com a indústria dos cursinhos é válida. Os estudantes não dão valor ao Ensino Médio. Isso os obrigaria a estudar e a aprender um pouco mais, além de alinhar as possibilidades de ricos e pobres. hoje só as classes mais agraciadas com o poder, conseguem frequentar bons cursinhos, além dealguns professores não ensinarem o oóbvio para que possa ter o aluno mais tarde em seu próprio cursinho pré, onde eles realmente ensinam as matérias, o ENEN sê fiscalizado e bem aplicado, é ótimo.

Wanderlen Borges Castanheira
Marítimo – Tramandaí

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Um final de tarde na praça.

As veses dou-me ao direito de sonhar e nos meus sonhos, delicadamente por veses você me aparece, passeamos de mãos dadas, circulamos por uma praça, com banquinhos, árvores, balanços e gangorras, lago, barquinhos e peixes... e lá andamos de braços entrelaçados, cabeças quase coladas, sentamos num banco qualquer, mas... a partir daquele momento deixa de ser qualquer, pois passa a fazer parte da nossa história de amor, por nós quase desapercebida passa uma linda criancinha, ficamos ali, parados, estancados em nossos pensamentos que de algum modo visualizam nela um nosso futuro possível filho, viajamos demos passos além dos nossos dias, em volta do arvoredo cantam pra nós belos pássaros, crianças andam de um lado para outro, aperto tua mão na minha, sinto o suor quente da sua angústia, sonhamos os mesmos sonhos, planejamos os mesmos planos, traçamos uma estrada quase perfeita ou será perfeita? Minha cabeça torna a encostar na tua, uma nuvem branca, linda, encobre o sol que iluminava teu rosto, te vejo corada, cabelos em desalinho, mas linda, quase angelical de tão sublime é tua imagem pra mim, nossos pensamentos encontram-se em todos os caminhos e vamos andando pela praça, o sorveteiro ainda é o mesmo que assistiu ao primeiro beijo que te dei e com certeza o guarda também sabe contar do dia em que roubei uma rosa amarela pra você, rosas, quero sempre que Deus permita possa eu te dar lindas rosas, mesmo sabendo que diante da tua ternura e do teu encanto, rosas simplesmente tornam-se adornos que desaparecem diante da singularidade dos teus cabelos e teu meigo olhar,ah pobre poeta, como poderei viver, se minha vida parece não ter sentido longe de ti, como poderei acordar, se acordado não encontro a graça do viver sem ti, mas é preciso viver e viver vale a pena, apenas quando a alma já não é mais pequena, são balanços, são gangorras meu amor, onde um dia pela vez primeira te encontrei, onde um dia escondido te beijei, o guarda ainda zela por nós e parece que espera por nós dois, ali no mesmo banco, seguro tua mão na minha e passeamos por entre patos e marrecos, rosas e dálias, orquideas e namorados, paramos um pouco, de leve alinho seu cabelo, enquanto beijo sua face, que já não fica corada como antes, pouso e repouso meu beijo em teus lábios macios e angustiados por este momento, tão delicado e sublime, tão especial e quase angélico e assim... passeamos como dois amantes sem a preocupação do tempo, que nem os amantes de Verona tiveram, mas porque preocupar-se se a cotovia não cantará pra nós, se o tempo, o nosso tempo a nós dois pertence...
Pingos de uma chuva quase imperceptível, parecem querem incomodar-nos, mas... nos acomchegamos, abrimos o s braços do nosso guarda chuva corpóreo e nos basta o abrigo um do outro, são pingos leves, intermitentes que molham nossos rostos, que confundem as minhas das tuas lágrimas já choradas quando falamos em nossa despedida, olho teus olhos, beijo delicadamente tua face rubra, aliso teus cabelos molhados e aos poucos vou fazendo neles uma trança, outra trança... e já não me pareces aquela moça de antes, mas uma boneca com duas chiquinhas douradas, com dois brincos prateados a levemente tocar teu pescoço esguio, beijo teus pelos macios enquanto acomodas teu rosto suavemente ao meu peito quase descoberto, os pingos da chuva molham aos poucos tua blusa amarela, de uma amarelo pálido, suave, delicado, aos poucos vou perecbendo teus encantos de mulher, aos poucos vou sentindo teu calor a enveredar por todo meu corpo, enquanto adimiro a escultura do teu ser, análizo a dependência que tenho de ti, enquanto adimiro cada pingo da chuva a molhar e mostrar teu colo, vou pensando no quanto tua beleza me domina, no quanto tua altivez me faz mais teu, pareces adormecer ao meu colo, a praça já parece ser toda nossa, também pudera, apenas nós ficamos por aqui, apenas nós esperamos para ver os pássaros acomodarem-se, as aves do lago aquietarem-se, de que adinata o relógio da estação marcar as horas que anunciam a noite, se já não temos o poder de dicernir o que é noite e o que é dia, se já não diferenciamos a garoa da chuva alucinada, de que vale o sino anunciar a Ave Maria de um inverno tempestivo se para nós a tempestade do amor invade nossos corações e a paixão queima de forma avassaladora nossas almas, destruindo aos poucos nossa capacidade de perceber o corre das pessoas, o bater das horas ou quem sabe o olhar incriminatório dos passantes, percebo aos poucos teu corpo deixar-se cair com levesa e ternura no meu colo, que a muito te espera, acomodo teus cabelos e pouzo um beijo delicado no teu pescoço nú, lentamente vou acomodando minha mão na tua mão, vou cruzando minha perna com a tua, tão lento que nem percebo que dormes acompanhada dos teus sonhos de menina mulher, só sei que não devo quebrar teu pensamento que viaja nas estrelas, que visita fadas madrinhas, que não vê nem percebe o passar de qualquer hora, que espera um príncipe em seu cavalo branco no qual te levará ao delicioso campo das nuvens do amor, ah, quem dera seja eu teu príncipe, seja meu colo tua nuvem esperada e...
Como é bom sonhar com teus sonhos, viajar nos teus encantos, estar contigo nesta balada vespertina, não te deixar acordar, para não perceberes a hora e o tempo de voltar...
A chuva vai molhando cada vez mais, tua delicate pele, macia, alva me faz delirar, acomodo teus braços ao meu colo enquanto nada me faz cansar de adimirar teu corpo juvenil, somos duas crianças esquecidas das horas, perdidas do tempo, tempo? O que significa o tempo para os amantes? Pra servem relógios, bilhetes, recados, chamados? De nada pra quem vive nosso momento de amor, hão de cantar os pássaros, hão de chiar as corujas, haverá lagum anjo de nos avizar quanto ao final do nosso tempo, se adormecemos na placidez, na calma da flotresta, na docilidade da praça, então que venha o guarda nos acordar, que venha a nova manhã, trazer novos passantes, fazer os pássaros para nós catarolar ou quem sabe a cotovia dos amantes de Verona, estará por vir ao perceber que aqui outros dois amantes, esqeceram das horas, perderam a noção do tempo, estão embriagados, inundados pelo virus do amor...
Como é bom sonhar, talvez o sonho pertença aos mortais e apenas os delírios acasalem-se aos aos poetas, a praça jámais poderá ser a mesma, como ser, se em cada banco, em cada gangorra, em cada balanço sinto o seu aroma e percebo tua imagem, andas comigo no encontro das árvores, estás comigo em cada esquina e o melhor, todos os pássaros na praça cantam pra nós...

UM CONTO INCOMPLETO, QUEM SABE UM ROMANCE NA SUA FORMA EMBRIONÁRIA, NÃO SEI, O Q DAQUI PODE NASCER... UM CONTO IMCOMPLETO.
WBCastanheira.

Jornal Dimensão 08/05/2009


Mar & Motos
Uma bela festa, uma demonstração de habilidades, conhecimentos e infelizmente, muito exibicionismo, de posses e demonstrações inadequadas no comportamento no trânsito, circulou bebida o tempo todo, havia motoqueiros bebendo e saindo para o trânsito e a polícia? Apenas olhando, como quase sempre. Mas a beleza da festa é indiscutível, a vantagem econômica para o município também, o que não entendo, talvez seja muito burro, porque não fazem o encontro no Centro de Eventos? Será que é para desprestigiar o ex-prefeito Rapaki e ao ex-secretário James Souza, os idealizadores da obra? Lá é o local apropriado para grandes eventos. Até quando vamos viver como aldeia, quando vamos perceber que o Centro não é lugar para grandes festividades que alteram, a circulação, o ritmo da cidade? Sr prefeito... Imponha sua autoridade. Ou vai deixar um palco de eventos entregue à destruição pelo tempo? Valorize o que de bom foi construído, grandes festas, e esta é uma imponente festividade, deve acontecer no local apropriado para isto, ou o sr vai atender ao grito da classe dominante? Pense, e tenha um ótimo governo. O sucesso, está nas suas atitudes.

Wanderlen Castanheira Indianópolis

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Você decide!!

Você decide!

E lá se foi a noite, e a manhã me encontrou desperto, aguardando...

Aguardando...Ancioso, inquieto, pernas tremendo mais que a bandeira no mastro da Fiergs em dia de vendaval.Mas nada acontecia. Tudo, tudo parecia tão quieto, mas só parecia, algo era tramado por trás da minha espera.Tudo parecia normal. Será que havia algo errado?
Sentei-me à mesa do café sem fome. Mesmo assim, trinchei uma torrada, tomei um gole de café com leite, subi, escovei os dentes,ao meu lado circulava triunfante com pose de vitoriosa no bigbrother, a gostosa da cozinheira, aquilo é mulher onde o título de gostosa é pouco, é insignificante, não faz juz, sim, ela passa por cima de todos os títulos que conheço, diria que é algo babante, um desbunde de fazer paralizar a geral do Grêmio ou Inter em dia de clássico, já me preparava para sair, quando, enfim, ouvi o que tanto queria ouvir:

- Minhas jóóóóóóóiaaaaas! Óh meu Deussssss, minha jóiassssssssssssss

A voz roufenha de dona Mirtes fez a mansão estremecer, estátua, paralizamos, mas recorremos às forças que Papai do Céu nos deu e aí. Corremos todos escada acima e a encontramos no chão do quarto, a porta do roupeiro aberta e a caixa de jóias vazia rojada no carpete. Dona Mirtes soluçava, de algum modo praguejava, mas em especial soluçava:

- Roubaram tudo! Tudo! As jóias da minha família!!!

Era mamãe pra cá e Mirtes pra lá e calma e calma e traz um copo d´água com açúcar e chama a polícia e que absurdo meu Deus! Tem algum ladrão aqui? Será que saiu, prendam-o, prendam-o!! Em alguns minutos, a polícia chegou com estardalhaço.Sirenes a toda, revólveres nas mãos e o pior, engatilhados, sim, pois engatilhado, significa pronto pra agir, para matar, levar pro quinto dos infernos, pros sete palmos de fundura, pro sujeito comer capim pela raíz, olhei aquilo, quiz fazer de conta que nada tinha visto, mas...Tremi, tremi ainda mais, não sei porque, sequer explicar, mas tremi feito marmelo verde, feito menino mijado antes de dar explicação, mas já vendo o chinelo, imaginando o peso e calculando o tamanho daquela sola, chegou o momento em que, Todos fomos ouvidos. Tentei ser racional em meu relato. Disse que suspeitava dos homens que me haviam assaltado, pouco tempo antes, numa esquina ali da pensão, falei daqueles homens fortes, grandalhões, até mostrei uma marca de mordida no meu cangote, sabendo que bastava olhar os dentinhos da cozinheira pra ver que era marca registrada dela, mas que fazer na hora derradeira, sei lá se eles iam atinar a olhar os dentes da cozinheira, mas também quem consegue olhar seus dentes tendo aquele corpo, aquela moldura, aquela boca pra olhar, o sujeito pasma.E eles me ouviram com severidade. Perto do meio-dia, consegui ir para o escritório. Então, fiz o que tinha de fazer: levei as jóias ao agiota, paguei a dívida e ainda consegui mais algum para repor o desfalque no caixa da empresa. Sei que ele saiu ganhando,nesta situação eles aproveitam para explorar um pobre coitado, uma pobre e desesperada vitima de extorção e da força maquiavélica das mulheresas, ah mulheres, ah mulheres, sempre elas o que fazem comigo, elas teem o poder, a forma inimaginável quando estão diante deste pobre mortal, mas que sei usar quando são gostosas isto sei, o pior é que no final, elas sempre elas saem ganhando, as jóias valiam muito mais do que eu devia, mas não estava em condições de negociar, de regatear qualquer coisa naquele mísero momento.

Quando voltei para casa, soube da notícia: Laércio havia sido preso, os homens o levaram para o xilindró, ia ver o sol nascer quadrado. Descobriram o colar ( a parte dele), em sua gaveta e o levaram algemado. Chantagista desgraçado. Ele bem que mereceu!

Portanto, minha situação ficou assim: continuei com meu casamento e com meu emprego,preservei minha esposa e salvei a dignidade de um homem de bem, todos pediam a minha opinião sobre o fato, perguntavam o que eu achava de tamanha violência contra o patrimônio alheio, se tinha pistas, coisas assim deste tipo, continuei morando onde morava e com as perspectivas profissionais que tinha antes de todas essas aventuras. A cunhada? Bem, essa eu não sabia se teria de novo, a cunhada, tão perto e tão insabida propriedade, uma cunhada igual a minha, companheiro, faz fiel escudeiro tremer na base, faz guardião da Pátria ter duvidas sobre se abandona um pouquinho a guarda ou não, ah minha doce cunhada Será que ela seria fiel ao grandalhão, aquela babaca, aquele cegueta? Duvido. Mas será que continuaria se interessando em mim? Um mistério.

A cozinheira? Dessa vou falar em seguida.

O fato é que cometi adultério com duas mulheres diferentes, sendo uma delas minha cunhada e a outra a cozinheira da casa em que morava,cozinheira, não, monumento histórico nacional, obra digna de tombamento pela beleza escultural da humanidade, tudo isto justifica meu desequilibrio, meu ato inseguro, meu atentado violento ao pudor familiar, justifica minha quebra de regra, minha ruptura com as estruturas sociais do bom comportamento, aquela não é mulher, é coisa fatal de outro mundo, mas... roubei, fui autor de um desfalque na empresa em que trabalho, enganei a todos e coloquei um homem inocente na cadeia. Admito: fiz tudo isso. Mas, considerando as circunstâncias, fiz errado? Como você agiria, se por caso pintasse uma chance desta grandiosidade?

Diga-me você: você resistiria à cunhada sedutora? Não? E, se não resistisse e fosse pego, como fui pelo mordomo,ali, sem chance de gritar, de ameaçar, de pedir socorro, calça em baixo, aquilo naquilo, bunda na janela, praticaria desfalque para pagar a chantagem? E, se o plano de lucrar com o desfalque falhasse, roubaria para se safar? Incriminaria um homem inocente, ainda que esse homem tivesse tentado lhe chantagear? Você faria isso tudo? Seja meu juiz! Estou esperando serenamente seu veredicto. Aguardo seu comentário.

Talvez você desaprove que eu, tantas vezes pecador, tenha saído de todas essas aventuras e desventuras sem punição. Pois garanto: não foi exatamente isso que ocorreu. Porque um dia depois da prisão de Laércio, ela veio me procurar.

Ela. Soninha.

A cozinheira.

Fez um sinal para que eu saísse da sala em que lia a última Ele e Ela, com a Sândi nua na capa. Segui-a até um dos banheiros da casa, como aquela casa tinha banheiros, Jesus Cristo! Foi então que Soninha miou com sua vozinha de arroz-com-leite, ela ronronou com aquele tipico miado de gatinha manhosa, ela tripudiou com minha resistência, ela veio suavemente e nocauteou-me, jogou-me às cordas e ainda pisou-me no pescoço na lona.

- Seu Rildo, eu queria lhe falar sobre tudo o que aconteceu...

Senti o peito se me oprimir.- Tudo o quê? Mas, como, tuuuuudo?

- Tudo: o que houve entre nós, a prisão do Laércio, as jóias roubadas, aquela tarde...

Comecei a compreender o que ia acontecer. Estava nas mãos da cozinheira. Ela podia me chantagear de diversas formas: podia contar que a possuí, podia contar do roubo das jóias, podia me desgraçar definitivamente. Finalmente ela podia tudo e eu? Tudo precisava fazer para que ela não passasse a ser uma ex amiga, uma ex amante, já pensou no poder das ex? São enexplicáveis que o digam os homens de Brasília, eles sabem muito bem o quanto destrói uma ex bem intencionada. Suspirei.Levitei e desci ao plano chão.

- O que você quer, Soninha?

- O senhor mesmo disse que ia me dar uma boa recompensa...

- Quanto, Soninha? Quanto? - já estava me acostumando a lidar com chantagistas, seria apenas mais uma...

- Bom... Acho que tudo ia ficar bem com uns duzentos mil...

- Duzentos mil?!?! Duzentos mil, Soninha?!?!?!!!! Tá delirando, viajou na mioneze, desce Soninha, pensa bem, duzentões!!

Olhei para ela. Seus lábios carnudos sorriam levemente. Debochadamente. Seus grandes olhos castanhos coruscavam de satisfação, suas pernas lisas e macias batiam uma na outra a me provocar e quando em vez, cruzavam deliciosamente uma por sobre a outra e Soninha, balançava maldosamente aquele corpo que um dia foi meu, ali, bem ali naquele maldito ou bendito (sei lá) banheiro amarelinho, de leve, bem de leve mordiscava aqueles lábios molhados, que um dia suguei com toda minha vivacidade, passava delicadamente sua língua aveludada só para me provocar, para tontear a vitima antes do golpe fatal, para paralizar a pobre refeição antes do ataque fulminante e destruidor.. Ela sabia que eu não tinha saída. Sabia que havia me derrotado. Fechei os olhos. Abri-os. Olhei para cima. Para o teto do banheiro. Para o firmamento. E pensei, em desespero: o que fiz de errado para merecer tanto sofrimento? Me diga: o quê???


P/pequenos contos de Paquetá. RJ

Por: WBcastanheira

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A beleza do batom, daquele dia.

Seria mais um dia de trabalho, tranquilo, em paz, e foi em paz, ao chegar as coisas pareciam normais, e estavam normais, numa grande repartição o entra e sai de pessoas é normal, dia agitado, mas, normal. Um sol muito bonito despontava ao leste do oceano Atlântico, pequenas garças revoavam no horizonte, logo ali mergulhões e pequenos pássaros disputavam pequenos peixes, pescadores tentavam de algum modo conseguir sua cota diária de peixes, alguns cachorros magros completavam a cena bucólica do pequeno quadro, pessoas entravam apressadas, mostravam seus pertences ou não, finalmente nunca entendi quando alguém e porque alguns os mostram e outros não, ao passar por ela, sim ao passar por ela, não passei, parei, congelei, sabe aquela brincadeira, estátua? Estatuei, não consegui segurar minha adimiração pela beleza do seu corpo e pela encantadora e tentadora boca, ornada por um batom de uma cor carmim inigualável, seus lábios voltaram-se aos meus olhos propositalmente molhados, umedecidos, escandalosamente provocantes, paralizei, tonteei, fiquei ali embasbacado, se o corpo, os olhos, os cabelos já me fazem parar, o que dizer daquela boca molhada, entreaberta, o que dizer do suave lamber daquela língua parecendo aveludada e macia, saindo e entrando suvemente com movimentos delicados extasiantes, atraentes, provocantemente sexuais, naquele dia, não consegui trabalhar direito, as coisas não fluiam, a cabeça não via os conteúdos, as mãos não seguiam o compasso normal de um comando, como dizer então que o dia era normal?As pessoas seguiam como todos os mortais, como todos os viventes a cumprir suas missões, mas eu, não conseguia, seu batom, aquela boca maravilhosa, não me deixou parar quieto, por várias veses voltamos a conversar, mas dialogos cortados, conversas fragmentadas, por telefonemas, perguntas, visitas, um clima completamente oposto àquele que eu desejava para nós dois, voltava ao escritório, o telefone toca, alguém por mais importante que fosse, em nada conseguia mover minha intenção de bem atender, minha cabeça, meu pensar, meu todo estava naquela boca, naquele batom, carmim suave, delicado, num tom muito próximo do irresistível, não parei de pensar naquela boca molhada e tentadora, estava diferente de outros dias, de outros momentos, tentamos conversar um pouco, não me contive e elogiei de modo profundamente apaixonado, seu batom, -que linda esta cor de batom. _Ah, nem notei, só procurei um diferente, tu gostou éh?
Se gostei? Apaixonei, tu não imagina o quanto ficastes diferente e ainda mais linda.
-Ah, são teus olhos, tô sempre igual
-Pra mim não, cada dia te vejo de um modo diferente e idealizo de um modo diferente.
-Então, hoje como tú me vê?
-Ah, linda, este batom tá demais, fico tonto, te vejo com um vestido amarelinho, de alcinha no ombro, assim, com as costas nuas e um decote, delicado, alinhado, viu? Nada de mostrar tudo, um vestido até o joelho, não, um pouquinho acima e um sapato preto com uma meinha branca com detalhes amarelos, curtinha.
-Noooossa, pra ti vou ficar uma mulher amarela
-Ué, vai ficar ainda mais linda...
O malvado do telefone toca, mais uma interrupção na minha trajetória de investimento, mais um diálogo fragmentado, como escolher a hora exata de dizer, te amo? Te amo precisa ter momento certo, clima ideal, preparação, muita preparação, se na hora exata em que eu disser,- sabe que eu te amo muito; toca o telefone, chega alguém, quer maior motivo pra ela escapar pela tangente, saiar de fininho, depóis se fazer de esquecida, e ter que recomeçar toda a liturgia do, eu te amo e o meu tiro, mirado, apontado, preparado, sair pela culatra? não poderia ser ali, naquele local o lugar de eu dizer o esperado, eu te amo, era preciso aguardar, ter calma, muita paciência, centralizar, agendar um momento para tal evento acontecer.
Pensando bem, tú já pensou, já arquitetou um lance desses? Já sentiu correr no sangue, fluir nas veias, o momento de um, eu te amo? É muito forte, é como cobrar um penalti em jogo de zero a zero, aos 45 minutos do segundo tempo, tudo pode ser decidido naquele lance, tudo pode depender do teu equilíbrio, da tua segurança, naquele momento que pode ser de glória, de vitória pro resto da vida ou pode transformar-se num momento fatídico, lamentável, dificil de esquecer, não, com certeza um, eu te amo, não pode ser dito numa esquina qualquer, numa porta de fábrica, numa mesa de escritório, ao lado de um telefone, nem pensar, telefones são os maiores adversários do, eu te amo, aliás telefones jamais deveriam estar próximos de pessoas que pretendem dizer um, eu te amo, numa portaria de empresa, como dizer, eu te amo? Juro, tu não consegue, bem, dizer até que dá, mas dar o tratamento, o pós eu te amo, e este pós é tão importante quanto o exato momento do, eu te amo, aí é que reside o nó da histórinha, imagina eu nesta situação, aquele batom maravilhoso, aquela boca estonteante, aquele corpo de boneca Suzi e eu ali, pronto, ensaia do para dar a ela toda a chance de dizer-me, - eu também, te amo, quanto tempo esperei por isso.
Mas entra peão, sai peão, toca telefone, entra carro, sai carro, e eu ali com o meu, eu te amo, engasgado, trancafiado, cabeça abaixa, passos lentos, olhar distante, vago, perdido na imensidão do oceano que desponta, a olhar sem pressa os barcos que entram, os barcos que saem, lá vou eu, novamente pra aquele escritório, aquele computador, fazer não sei o quê, se nada do que é meu atende meu comando, se estou perdido por aquele batom.
Num outro dia a vagar pela praia, dia de sol, folga geral, sem jogo do Grêmio, sem arquibancada, lá ando eu a vagar pelas ruas quase desertas de uma cidade abandonada, alguns namorados desfilam abraçados, quanto batom desperdiçado, eu, ali, alimentando meu sonho, vivendo meus delírios, a praia calma, transparente, o mar delicadamente sobe e desce a margem, molhando meus pés desnudos a caminhar por uma manhã qualquer, eis que toca o telefone, ah, o telefone maravilhoso companheiro dos solitários, ah, o telefone o único que naquele momento pederia me fazer uma boa companhia e dar-me notícias, -Alô, bom dia, quem fala?
-Eu
-Eu, quem será a dona desta vóz tão macia?
-Não conheces, arrisca
-Garanto que é a dona de um batom lindo, que talvez hoje esteja usando um vestido amerelo de alcinhas?
-Errou, é verde, adorei, meu predileto, comprei pra nós
Tremi, aquele pra nós, soou como trombeta em quartel de bombeiros em prontidão, como o toque do clarim anunciando a alvorada da tropa, não sei se gelei ou queimei, mas com certeza estremecí.
-Pra nós?
-Claro, lembra de ontem, a gente combinou de sair hoje, ah, não vai dizer que esqueceste?
Juro, quase fiz um charminho, mas nós, homens, temos medo da fazer isto, elas adoram, sei lá talvez seja insegurança.
Claro que não, né? Tô aqui andando na praia te esperando
-Tá tchau
E desligou, e agora, pensei eu, ela não disse onde estava.
Mas par minha surpresa estava ali, pertinho, quase atrás de mim, quase no meu calcanhar, quando tentei virar tive meus olhos cobertos por duas mãos longas, com dedos delicadamente finos e longuineos.
-Adivinha quem é, e ganha um beijinho, erra e não ganha nada
-A dona do batom mais lindo que já ví e agora quero conhecer o sabor
Voltei-me e ela enlaçou-me no enlace mais profundo e mais forte que já experimentei, ficamos ali, entre beijos e abraços, o tempo passou e não notamos, sei lá porque, não notamos as pessoas, não notamos a beleza da praia, o contraste maravilhoso de uma manhã de sol brilhante, num dia de sol as coisas mais importantes da nossa vida aconteceram, estaria ela com aquele batom? Não sei, quando olhei extaziado o contraste do verde do mar com o verde dos seus olhos, ví apenas a linda cor natural da sua boca, seu vestido verde seria menos bonito que o sonhado amarelo com alcinhas? Não sei quando tentei olhar a beleza do seu vestido, fui novamente envolvido por abraço e um beijo tão apaixonado que até hoje ainda não me permitiu acordar.

Por: WBcastanheira
Numa tarde em que a inspiração veio vizitar-me, foi possível cumprir uma promessa feita a mim mesmo, obrigado Anjos que descem e sobem ,aos poetas cabe apenas segurar suas asas.

Zero Hora 01/05/2009

01 de maio de 2009 | N° 15956AlertaVoltar para a edição de hoje



  • Os textos do presidente da OAB-RS, Cláudio Lamachia, e do jornalista Júlio Mariani (ZH de 22 de abril) são ótimos, didáticos, explicativos, claros, não deixam dúvidas sobre as gastanças dos políticos do Senado, da Câmara e da Assembleia e até dos vereadores, cada linha mostra o conhecimento e a profunda vontade destas pessoas em fazer, construir um país melhor, mais honesto, enfim um lugar bom para morar criar e educar nossos filhos.

    São matérias escritas com propriedade e inteligência. Acredito que estão prontas para serem levadas à sala de aula, mostradas a nossas crianças para que saibam como não devem se comportar caso venham um dia a ser políticos.

    Wanderlen Borges Castanheira

    Marítimo – Tramandaí

AMIGO DAVI, UM PRESENTE P/NÓS

01 de maio de 2009 | N° 15956AlertaVoltar para a edição de hoje

DAVID COIMBRA

  • Os velhos da cidade

    Não estou preparado para a velhice. Cheguei a tal conclusão ao fazer aniversário, dias atrás. Na verdade, chego à mesma conclusão em todos os aniversários, desde os oito anos de idade.

    Bem. Um dia depois de tecer essas reflexões inquietantes, fui viajar e ouvi a seguinte frase do serviço de som do aeroporto:

    – Clientes da melhor idade têm preferência no embarque...

    Que história é essa de melhor idade? Se eles estão na melhor idade, por que o privilégio? Privilégio precisam os que estão na pior idade. Aquela loira de 19 anos que ali vai caminhando sobre duas longas pernas de garça, duas pilastras de carne rija revestidas de pele macia, sem um vinco, sem um naco fosco, pernas de louça reluzente, aquela menina fresca como as manhãs de outono, com sorriso de hortelã e olhar coruscante, ela é que está na pior idade. Ela é que merece privilégios. Por favor!

    Melhor idade. Velhice, digam o nome. Se tudo der certo, se tivermos sorte, todos envelheceremos, inclusive os que não estão preparados para isso, como o degas aqui. Aí, qual é o problema? O sujeito é velho, tudo bem. É novo, tudo bem também. Dizer que o velho está na melhor idade é o mesmo que dizer que ele está na pior idade. Tipo:

    – Como você está decrépito, putrefato, quase morto, como as pessoas olham para você com desdém e as mulheres riem das suas ridículas pretensões amorosas, vamos lhe dar um consolo: vamos fazer todo mundo dizer que você está na melhor idade.

    Um velho não precisa de elogios à sua idade. Precisa é de uma vida digna na velhice. Por exemplo: a cidade em que ele mora não pode lhe ser hostil. Ontem mesmo estive em uma cidade na qual vi velhinhos caminhando pela rua de braços dados, sentados nos bancos de madeira, conversando ao ar livre sem medo. Curitiba. Aqui pertinho, 55 minutos de Sete Meia Sete. Que inveja senti. E não foi inveja branca. Foi inveja corrosiva, amarga. Pensei: esses paranaenses falam pourco e pourta e queriam ser paulistas e constroem uma cidade dessas...

    Invejei-os, sim. Invejei, sobretudo, o Centro de Curitiba.

    O bairro mais importante de qualquer cidade é o Centro. Porque o Centro é de todos, por lá passam os moradores da periferia e os dos condomínios fechados, por lá passa até quem não vive na cidade, como o turista ou o visitante acidental. O Centro de Curitiba é limpo, arejado, organizado, iluminado e seguro. As pessoas convivem no Centro de Curitiba. De dia, circulam entre lojas e repartições públicas; à noite, riem nos bares, cafés e restaurantes, e arrastam os sapatos pelas calçadas irrepreensíveis.

    Em Porto Alegre, diz-se que o calçadão é um atraso, que uma cidade não pode prescindir do automóvel, como o corpo humano não prescinde do sangue a circular pelas veias. Mas em Curitiba o calçadão funciona, é um espaço civilizado de encontro, todos estão lá, crianças, adultos e o pessoal da melhor idade.

    O Centro de Porto Alegre é até mais bonito do que o de Curitiba. O traçado sinuoso das ruas, a arquitetura irregular dos prédios, o que há de torto em Porto Alegre a transforma numa cidade mais autêntica do que Curitiba. É uma cidade com história, Porto Alegre. As marcas da vida nem sempre fácil estão em cada uma das suas velhas paredes, das suas esquinas escuras. Mas Porto Alegre relegou seu Centro. Abandonou-o. Quem tem coragem de circular à noite pelo Centro de Porto Alegre? Eis aí a medida. A prova definitiva. Quando o porto-alegrense voltar para o Centro, a cidade estará redimida. Todo porto-alegrense. O rico, o pobre, o remediado e, principalmente, o velho. Quando o velho retomar o Centro, Porto Alegre estará, enfim, desfrutando a sua melhor idade.